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sábado, 13 de fevereiro de 2016

ALÉM DA "BREGUICE" DA MARCHA NUPCIAL

Há algumas semanas, durante o trabalho, eu recebi uma notícia que me deixou perplexa. No início eu não sabia o porquê, mas depois de refletir eu entendi a razão e não há nada científico que prove o meu ponto de vista, é questão de percepção pessoal, meu ponto de vista. 

Uma das coisas para as quais eu me dedico é o casamento, não o meu, mas dos outros. Trabalho com cerimonial de casamentos. Recentemente uma noiva disse que não iria tocar a Marcha Nupcial porque o noivo acha brega e para ela tanto faz se tocava ou não. Portanto, decidiu pelo não. E foi isso que me incomodou, como eu disse, a princípio eu não sabia bem o motivo, mas agora tenho uma teoria. 

Toda cerimônia possui protocolos a serem seguidos e cada um deles há um significado. São esses significados e o que eles representam que caracterizam os eventos, portanto, diferenciando-os. 

A Marcha Nupcial (seja a de Wagner ou a de Mendelssohn) é o clímax do casamento, isso porque ela funciona como um grito. É o "Lá vem a noiva" em melodia. E para provar que a Marcha é um protocolo da cerimônia de casamento eu pergunto: qual o comportamento dos convidados quando as batidas soam? Eles se colocam de pé. Não é necessário levantar uma placa ou gritar para que todos se levantem, pois a Marcha já o faz. É um protocolo. 

As batidas da melodia também podem simbolizar os batimentos cardíacos. Pancadas invisíveis. O início são socos no estômagos tão inebriantes que não cabem em uma pessoa só. Simboliza a impaciência de quem espera no altar, a euforia de quem recebe um "bem-vindo" ao tocar a Marcha, simboliza também as lágrimas daqueles que fazem parte do círculo que está prestes a se fechar (no bom sentido). 

Nada contra quem acha brega a Marcha Nupcial, no entanto, se uma pessoa se submete à fazer parte de uma cerimônia de casamento ela deve ter a consciência de que há protocolos e por trás deles há um significado que não deve ser ignorado. E a Marcha Nupcial é um protocolo importante desse momento, não é a toa que a melodia é imponente, ela foi criada para marcar esse episódio da vida, assim como esse momento ficará marcado na vida de quem se casa. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A MELANCOLIA DE ESTAR ONDE NÃO QUERO


Hoje foi um desses dias que a gente leva uma pancada da vida e fica desnorteada por algum tempo. Estar decepcionado consigo mesmo é ruim, porém, saber qual o caminho pegar para curar essa desolação e não segui-lo é estar a meio centímetro do alvo e errar. É viajar para conhecer o mar e se afogar antes de contemplar a estética do azul que cega de tão azul. 

Estou em frente ao caminho de espinhos cujas margaridas me aguardam há alguns quilômetros a frente. Chego a sentir o cheiro delas daqui, mas o medo me consome. Esse sentimento paralisante que me impede de pular do trem que estou a bordo. Sinto um medo terrível mesmo sabendo que o trem está encalhado. Ele parou quando tomei consciência do que é realização para mim. 

É extremamente doloroso deixar de seguir o que me traz luz por uma insegurança que está fora do meu controle, pois ela vai existir em qualquer ambiente. Estabilidade é uma palavra que só existe no dicionário. 

Eu sou infeliz de propósito, desculpas não me faltam para adiar a queda. Não sei até quando essa corda bamba me sustentará e quanto mais eu demoro, mais doída será a queda. Margaridas não florescem em qualquer lugar, nem em qualquer época, é preciso cultivar ou ir ao seu encontro onde o solo a receba sem reservas. 

Um fenômeno não tem que aparecer a cada mil anos para ser belo, veja as estrelas. Se viver fosse fácil o paraíso não viria após a morte. 


sábado, 9 de janeiro de 2016

EU SOU FELIZ AQUI

Eu sou feliz no Brasil. Quando eu tinha por volta de 18 anos passava horas sonhando que morava em outro país, sonhava com o vinho da Itália, com as roupas de NY, com as paisagens da Irlanda, com a neve da Rússia. Hoje, porém, acordei.

Ainda quero sim, muito aliás, conhecer outros países, aprender com outras culturas, dialogar em outras línguas, contudo, não crio mais a ilusão de uma felicidade estrangeira. Aceitei o fardo - ou a leveza - de que a geografia não define o sorriso no meu rosto. Apenas eu e mais ninguém determina o meu estado de espírito, e ele é feliz aqui. Meu espírito é brasileiro. Meu espírito é onde a minha cabeça estiver, meu espírito é onde o meu coração pulsar a ponto de não caber mais nessa massa de 1,55 de altura. 

Se acaso surgir a oportunidade de passar uma temporada fora ou mesmo morar, eu vou de bom grado e coração aberto se o desafio for bom. Se nunca surgir, eu estou bem também, não vivo aqui obrigada, vivo porque eu quero, agora sei disso. O contentamento é o maior desafio do ser humano. Não temos que abdicar da ambição, mas discernir quando essa ambição se tornou desnecessário, destrutiva, egoísta. 

Vivemos em uma época em que o valor de uma pessoa é medido pela quantidade de bens que ela possui, pelo número de zeros que possui na conta bancária, pelo nível de vida que leva, mesmo que o salário não dê pra pagar metade das prestações que deve, o que importa é o que os outros vêem. Em que momento a visão se tornou mais importante que o tato? Os sentidos se completam, não deveriam oprimir uns aos outros. 

Valorizar onde você vive, o que você tem, as pessoas que estão ao seu lado, a natureza que divide a Terra com você, os animais que também são habitantes deste planeta, não só você e eu. Eu não sei qual a minha missão aqui, mas eu sei que não é conquistar uma imensidão de coisas que eu não preciso. Talvez seja parar de reclamar da chuva ou do sol e prestar atenção para os lados, pois sempre terá alguém precisando da nossa ajuda. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O QUE O AMOR LIVRE ME ENSINOU

Ter preconceito com o outro não é amor, é a falta dele. Respeitar o próximo na sua diversidade é mais do que humanidade, é ter harmonia consigo e com o mundo, porque respeitar quem pensa igual a mim não é um desafio. As pessoas que não se encaixam em determinada forma de relação não deveria sofrer por isso, amor não é sinônimo de medo, muito menos de sofrimento. Amor é aceitação, é respeito, é solidariedade, é carinho, é cuidado, é saudade. É uma mistura de todas as coisas boas que temos a oferecer.
Desde que eu comecei a estudar sobre o amor livre eu venho desenvolvendo qualidades em mim que eu nem ao menos sabia da existência. Sim, porque durante os anos em que eu conhecia apenas o amor dos contos de fadas, relacionamento a dois era sinônimo de privações. Li inúmeros artigos, textos opinativos e documentários a respeito e o que eu pude tirar de tudo aquilo é que Amor Livre não é uma forma de bolo, não diz respeito à quantidade de pessoas que eu amo ou transo, mas a qualidade do amor que eu ofereço em minhas relações.
Amor livre, segundo toda a carga teórica e prática que eu carrego, é não deixar de fazer qualquer coisa por medo. Confiança é inerente ao amor livre. Amor livre não diz respeito à forma de relacionamento (monogamia x poligamia), porque, a meu ver, também inclui ser livre de imposições, principalmente imposições da quantidade de pessoas que eu devo amar. Livre é escolher se eu quero me somar com uma, duas, três ou quatros pessoas. Amor é qualidade, não quantidade.
Amor livre é a lealdade do amor na sua forma mais pura, mas é preciso que as pessoas mergulhem juntas, que elas estejam na mesma sintonia para que as ondas não falhem no primeiro obstáculo. Ser amoroso é uma maneira natural de viver. Amor é o que você irradia do seu coração para o mundo, independente da quantidade de mundos.
Comumente o amor é resumido apenas no amor erótico, quando é infinitamente mais do que isso. Amor é uma gama desmedida de sentimentos e ações que não podem ser traduzidos em palavras, muito menos ser resumido em um aspecto tão ínfimo quanto o sexo.
Amor é um abraço que derruba paredes de angústias, amor é um sorriso que faz com que o dia valha a pena, amor é levantar 3h da manhã para dar remédio a alguém que está doente, amor é a reciprocidade no caminhar nas trilhas de flores e nas estradas de pedras. É entusiasmar-se com o sucesso do outro simplesmente pela felicidade do outro, pois o amor não admite egoísmo. Amor é se oferecer sem pedir um pedaço do outro.
Amor livre é sair com meus amigos do sexo masculino sem ter que terminar o namoro. É deixa-lo jogar vídeo game sem perguntar que horas ele volta ou se alguma mulher estará presente. É ir ao bar da esquina sozinha quando me der vontade sem me sentir obrigada a chamá-lo com receio de briga. É ter a liberdade de dizer que hoje eu quero ficar sozinha. É dar satisfação porque eu quero e não porque seja alguma obrigação intrínseca de quem ama. Amor livre é entender que você faz parte da felicidade de alguém, mas outras pessoas também contribuem para essa felicidade. Amor livre é ter a liberdade de ser você sem se preocupar em ser tudo aquilo que o outro espera.
Não ter medo. Amor é isso. Não ter medo de viver-se e, consequentemente, não ter medo de deixar o outro viver. É preciso respeitar a individualidade do seu companheiro e a sua também. É não deixar de fazer aquelas coisas que você ama por causa do outro, é entender que isso ou aquilo, mesmo que você não goste, é algo que faz a pessoa feliz, então, que seja. Entenda. Confie.
Isso não quer dizer que eu não me importo, pelo contrário, eu me importo muito, mas importar é cuidar e não vigiar. Importar é perguntar se quer conversar quando está triste e, caso a resposta seja negativa, não ficar chateado alimentando pensamentos destrutivos. Amor não precisa de coleiras. Elas dão uma falsa liberdade, pois nos oferece espaço limitado para ir, se tentar correr ela te puxa, aperta, fere. Esse tipo de marca não traz orgulho para quem as tem e muito menos deve trazer orgulho para quem as faz.
Em todas as religiões é pregado que o amor não dói. Por que é tão difícil colocar em prática a teoria? Instinto? Duvido. A capacidade de conter, ou melhor, de lidar com o instinto é uma das coisas que nos diferencia dos demais animais. É uma das coisas que nos caracteriza como racionais. Somos seres seletivos, selecionamos a comida que gostamos, com quem nos relacionamos, os estilos musicais que ouvimos, enfim, selecionar agir de forma amorosa ao invés de irritação, de forma compreensiva ao invés de brigas, de forma racional ao invés de ciúme é escolha.
Amor livre me ensinou que é sim possível haver formas de amar diferentes da minha, e que elas não vieram para subtrair, mas para somar. Afinal, quanto mais amor, melhor. Não tratemos o amor como parte do sexo quando é justamente o contrário. O sexo é que faz parte do amor. Amizade é a prova disso, existe o amor, mas não o sexo.
Amor livre, o pleonasmo mais belo, no entanto, é onde ocorrem mais erros de interpretação.