Ter preconceito com o outro não é amor, é a falta dele. Respeitar o próximo na sua diversidade é mais do que humanidade, é ter harmonia consigo e com o mundo, porque respeitar quem pensa igual a mim não é um desafio. As pessoas que não se encaixam em determinada forma de relação não deveria sofrer por isso, amor não é sinônimo de medo, muito menos de sofrimento. Amor é aceitação, é respeito, é solidariedade, é carinho, é cuidado, é saudade. É uma mistura de todas as coisas boas que temos a oferecer.
Desde que eu comecei a estudar sobre o amor livre eu venho desenvolvendo qualidades em mim que eu nem ao menos sabia da existência. Sim, porque durante os anos em que eu conhecia apenas o amor dos contos de fadas, relacionamento a dois era sinônimo de privações. Li inúmeros artigos, textos opinativos e documentários a respeito e o que eu pude tirar de tudo aquilo é que Amor Livre não é uma forma de bolo, não diz respeito à quantidade de pessoas que eu amo ou transo, mas a qualidade do amor que eu ofereço em minhas relações.
Amor livre, segundo toda a carga teórica e prática que eu carrego, é não deixar de fazer qualquer coisa por medo. Confiança é inerente ao amor livre. Amor livre não diz respeito à forma de relacionamento (monogamia x poligamia), porque, a meu ver, também inclui ser livre de imposições, principalmente imposições da quantidade de pessoas que eu devo amar. Livre é escolher se eu quero me somar com uma, duas, três ou quatros pessoas. Amor é qualidade, não quantidade.
Amor livre é a lealdade do amor na sua forma mais pura, mas é preciso que as pessoas mergulhem juntas, que elas estejam na mesma sintonia para que as ondas não falhem no primeiro obstáculo. Ser amoroso é uma maneira natural de viver. Amor é o que você irradia do seu coração para o mundo, independente da quantidade de mundos.
Comumente o amor é resumido apenas no amor erótico, quando é infinitamente mais do que isso. Amor é uma gama desmedida de sentimentos e ações que não podem ser traduzidos em palavras, muito menos ser resumido em um aspecto tão ínfimo quanto o sexo.
Amor é um abraço que derruba paredes de angústias, amor é um sorriso que faz com que o dia valha a pena, amor é levantar 3h da manhã para dar remédio a alguém que está doente, amor é a reciprocidade no caminhar nas trilhas de flores e nas estradas de pedras. É entusiasmar-se com o sucesso do outro simplesmente pela felicidade do outro, pois o amor não admite egoísmo. Amor é se oferecer sem pedir um pedaço do outro.
Amor livre é sair com meus amigos do sexo masculino sem ter que terminar o namoro. É deixa-lo jogar vídeo game sem perguntar que horas ele volta ou se alguma mulher estará presente. É ir ao bar da esquina sozinha quando me der vontade sem me sentir obrigada a chamá-lo com receio de briga. É ter a liberdade de dizer que hoje eu quero ficar sozinha. É dar satisfação porque eu quero e não porque seja alguma obrigação intrínseca de quem ama. Amor livre é entender que você faz parte da felicidade de alguém, mas outras pessoas também contribuem para essa felicidade. Amor livre é ter a liberdade de ser você sem se preocupar em ser tudo aquilo que o outro espera.
Não ter medo. Amor é isso. Não ter medo de viver-se e, consequentemente, não ter medo de deixar o outro viver. É preciso respeitar a individualidade do seu companheiro e a sua também. É não deixar de fazer aquelas coisas que você ama por causa do outro, é entender que isso ou aquilo, mesmo que você não goste, é algo que faz a pessoa feliz, então, que seja. Entenda. Confie.
Isso não quer dizer que eu não me importo, pelo contrário, eu me importo muito, mas importar é cuidar e não vigiar. Importar é perguntar se quer conversar quando está triste e, caso a resposta seja negativa, não ficar chateado alimentando pensamentos destrutivos. Amor não precisa de coleiras. Elas dão uma falsa liberdade, pois nos oferece espaço limitado para ir, se tentar correr ela te puxa, aperta, fere. Esse tipo de marca não traz orgulho para quem as tem e muito menos deve trazer orgulho para quem as faz.
Em todas as religiões é pregado que o amor não dói. Por que é tão difícil colocar em prática a teoria? Instinto? Duvido. A capacidade de conter, ou melhor, de lidar com o instinto é uma das coisas que nos diferencia dos demais animais. É uma das coisas que nos caracteriza como racionais. Somos seres seletivos, selecionamos a comida que gostamos, com quem nos relacionamos, os estilos musicais que ouvimos, enfim, selecionar agir de forma amorosa ao invés de irritação, de forma compreensiva ao invés de brigas, de forma racional ao invés de ciúme é escolha.
Amor livre me ensinou que é sim possível haver formas de amar diferentes da minha, e que elas não vieram para subtrair, mas para somar. Afinal, quanto mais amor, melhor. Não tratemos o amor como parte do sexo quando é justamente o contrário. O sexo é que faz parte do amor. Amizade é a prova disso, existe o amor, mas não o sexo.
Amor livre, o pleonasmo mais belo, no entanto, é onde ocorrem mais erros de interpretação.